Emergir completa uma volta em torno do Sol

24 minuto(s) de leitura

Como num piscar de olhos, chegamos em Setembro de 2018. E o mês que nos presenteia com a Primavera é carregado de simbolismo para o Emergir. É aqui que celebramos o aniversário deste portal. Que, para mim, tem realmente sido um portal para um mundo de conexões, de aprendizados e de surpresas emergentes. Permita-me contar um pouco mais sobre essa história - não necessariamente de forma cronológica.

No início havia uma intenção

2017 foi um ano incrível para mim. Recheado de momentos intensos e de decisões que marcaram e marcarão a minha vida para sempre. Iniciei aquele ano como um dos estudantes da primeira turma da Minerva Schools at KGI, um sonho que havia se tornado realidade dois anos atrás. Nesta universidade itinerante, experenciei vários saltos quânticos em diferentes dimesões da minha existência. Por exemplo, foi na Minerva que fui introduzido ao paradigma da Complexidade e também onde, graças ao meus bons amigos, tive algumas das discussões mais fundamentais sobre esse tema. Discussões que realmente - e profundamente - alteraram a forma como eu exergava o mundo e seus fenômenos. Porém, após o termino do meu segundo ano (que findou em Maio por conta do calendário escolar no hemisfério Norte), eu já sentia uma dissonância forte entre o modelo estruturado de uma universidade (por mais inovadora que ela fosse) e os meus interesses e ansêios.

Felizmente, o termino doloroso daquele ano escolar dava passagem a um dos períodos mais plenos da minha vida, as minhas “férias de verão de 2017” (Verão no Hemisférios Norte). Depois de tentar encontrar um estágio de férias relacionado à Complexidade com mais de 30 organizações diferentes, uma respondeu ao meu e-mail. E é ai que a história do Emergir começa. Entre Junho e Agosto de 2017 eu estagiei com a Complexity Labs, uma organização em rede dedicada à desmistificação da Complexidade para o pública não científico. Entre outras coisas, eu participei da produção dos cursos de Teoria dos Jogos e Complexidade Política. E de maneira geral, esse foi um período de mergulho nos conceitos fundamentias do Paradigma da Complexidade e no mundo cripto com a tecnologia de blockchain.

Tudo isso me energizou bastante, por que eu começava a encontrar melhores perguntar para as soluções que ainda busco (o grande poder dos frameworks). Eu realmente sentia que estava constantemente progressando rumo a algo que fazia total sentido para mim, que era o entendimento do mundo e sua fenomenologia a partir das conexões. E esse sentimento se mostrou completamente oposto ao que comecei a sentir quando as férias acabaram e chegava a hora de voltar para a escola. No ápice do teatro político-militar entre Trump e Kim Jong-un, a Minerva se preparava para levar seus alunos para um semestre em Seoul. E enquanto os Estados Unidos e a Coreia do Sul ensaiavam os próximos passos da sua dança grotesca, eu ensaiava a minha saída da Minerva. Naquele momento eu tinha apenas uma intenção: falar sobre Complexidade em português. E por várias razões a Minerva não era a plataforma para isso.

Assim, ainda em Agosto de 2017 eu comecei a utilizar o pouco conhecimento que tinha sobre web-development para criar uma interface básica para essa plataforma.

Coréia do Sul

Hoje é engraçado pensar que estou escrevendo sobre o Emergir e dedicando uma parte do texto à Coréia do Sul. Porém, essa sessão é na verdade essencial. Em Setembro do ano passado eu cheguei na Coréria do Sul ainda como um aluno da Minerva (mas não por muito tempo). Apesar da intensificação dos conflitos na região, aquela era a melhor chance que eu teria de conhecer este pais tão maravilhoso. Então eu fui. Meu plano era simples: fazer a primeira semana de aulas, oficializar minha saída por um ano, passar bons momentos com meus amigos por uma outra semana e voltar para o Brasil para traduzir alguns dos material da Complexity Labs e… falar sobre complexidade.

Nada ocorreu como planejado além da oficialização da minha saída. Depois de muitas conversas com professores e orientadores, tirei um ano livre (o sabático) para explorar aquilo que me atraia. E apesar de ninguem comentar, todos (inclusive eu) sabiam que esse ano sabático não terminaria em um retorno à Minerva.

já no primeiro dia em que não tive aula, fui, sem saber, em direção a um encontro improvável que acabou influenciando muito toda essa história que estou contanto. Mas esse é o assunto de uma outra trilha ;) O resumo da ópera é que eu acabei ficando em Seoul por dois meses fazendo basicamente duas coisas. 1) Um treinamento intensivo de meditação, trabalho corporal e energético e 2) o Emergir. É difícil dizer com certeza o quanto cada uma dessas atividades influenciou a outra, mas com certeza existem fortes conexões entre elas! Ah, esta música embalou muito esse meu momento na Coréia. Talvez você goste de terminar de ler ouvindo ela.

Emergindo

Antes mesmo de começar a materializar algo, o nome Emergir já estava comigo. Talvez porque o processo de criação do portal foi também um processo de emergência pessoal, dada todas as mudanças acontecendo na minha vida. Lugar novo, rotina nova, hábitos novos, incertezas! Muitas incertezas. Porém, eu abracei toda a complexidade do processo e comecei a aprender sobre esse paradigma na prática!

Depois de mapear algumas ferramentas e conteúdos que eu gostaria de ver materializados no Emergir, eu comecei a traduzir os materiais base da Complexity Labs, como a Teoria dos Sistemas, que fundamenta o pensamento complexo. O processo era simples. Eu traduzia os textos open-source da CL do Inglês para o Português, fazia uma gravação da leitura desses textos e editava esse aúdio junto com a animação original da CL. No geral, a experiência de tradução foi muito interessante e brincar de narrador me fez entender como é difícil realizar este tipo de trabalho vocal. Com tudo isso, eu acabei aprendendo muito sobre produção audio-visual.

Nesta etapa, minha ideia era ter apenas uma página simples na internet alimentada por um mapa Kumu com os nós contendo os conteúdos traduzidos. E, como eu disse, o conceito de Emergência como processo complexo - exemplificado pela transformação da largata em borboleta - já estava na essência do que eu estava fazendo. Por isso os primeiros rascunhos de um logo com a imagem de uma borboleta. Esse logo acabou inspirando o atual logo do Emergir que foi feito de forma open-source e free através do site LogoMakr - obrigado por existirem.

Felizmente, eu documentei as transformações do Emergir conforme elas foram acontecendo:

08/05/2017 07/08/2017 07/08/2017 15/09/2017 15/09/2017 21/09/2017 21/01/2018 30/01/2018 04/06/2018
Emergindo

Como um todo, o processo de emergência do Emergir foi bem experimental e não-linear, então fica até difícil apontar uma data para quando o portal realmente nasceu. Comecei de fato a pensar na plataforma durante Agosto de 2017, mas foi só em Setembro que eu fiz as primeiras materializações e, mais importante, as primeiras conexões. Olhando rapidamente, estas são algumas datas importantes:

  • Domínio adiquirido em 06/08/2017
  • Página no Youtube criada em 06/08/2017
  • Primeiro vídeo postado em 23/09/2017
  • Página no Facebook criada em 23/09/2017

Evolução (e Porquê) do Emergir

A partir desta condições iniciais, o Emergir seguiu uma rota de evolução única - a exemplo de sistêma dinâmicos que são altamente afetados pelas suas condições iniciais de movimento. No total, a tradução do primeiro curso sobre Teoria dos Sistemas ocorreu durante o primeiro mês que estive na Coréia do Sul. Me lembro que postava cada vídeo com uma intenção muito forte de que a mensagem chegasse a quem tivesse que ouvi-la. Como se estivesse soltando uma mensagem em uma garrafa para o mar. E, em seguida, além de muita pesquisa, eu comecei a mapear as conexões no Brasil que poderiam estar interessadas no assunto e a escrever os primeiros rascunhos de uma página Sobre o Emergir.

Ainda na Coreia, tive a primeira conversa com uma queria e um dos NÓ(s) mais ativos na Rede Emergir hoje. A Alessandra Bernardo, que já estava conectada à Complexity Labs mas em busca de materiais sobre complexidade em Português. Aquela interação foi muito energizante para mim, me dando bastante resiliência para continuar com algo que parecia louco. Esse tipo de incentivo foi super importante porque “por um outro lado”, quando eu comecei a falar sobre o assunto com amigos, familiares e pessoas conectadas à minha rede na época, delimitando aquilo que estava fazendo, eu sempre confrontava rostos confusos e respostas como “isso é bem complexo mesmo”. O conteúdo que eu estava materializando parecia mesmo coisa de outro mundo, por que é. Estava falando sobre um outro paradigma interpretativo para os fenômenos do mundo e isso não é tão simples de ser absorvido. Junte isso ao fato de que eu havia acabado de sair deliberadamente de uma universidade dos sonhos e pronto. Estava feita a receita da loucura.

Talvez por isso eu tenha achado importante escrever um artigo sobre o Porquê do Emergir, onde coloquei fatos que me aflingiam (e ainda afligem) sobre as condições do mundo na entrada do Antropoceno; a importância de adotarmos um paradigma de interconexão nesse contexto; e, principalmente, o poder do conceito de Emergência como uma ferramenta mental e de ação que pode nos auxiliar a alcançar níveis outros de organização. E é incrível perceber como tudo isso continua extremamente relevante para mim hoje. Mas continuo me perguntando quantas pessoas chegaram a ler esse texto.

Então, assim segui com o Emergir na Coréia até o início de Novembro, quando me despedi rumo ao Brasil (com uma rápida parada na Europa para uma visita a uma pessoa muito especial e para participar de um hackathon sobre dados marítimos da União Européia). Durante essa transição de paises, o Emergir passou por um período de pouca intensidade, mas ainda assim foi muito interessante ver as poucas visualizações e inscrições acontecendo no canal. Cada vez que via um novo like, eu vibrava!

Brasil

Quando retornei ao Brasil e me instalei no interior de São Paulo com a minha família, senti que era o tempo para me dedicar full-time ao Emergir. Aqui muitas coisas já começavam a me surpreender com esse projeto - o que foi e ainda é regra. Pessoas que eu imaginava que iriam se interessar por Complexidade não demostraram tanta empolgação, enquanto outras pessoas que eu nunca imaginei que ressoariam com essa frequência se demonstraram muito interessadas. Foi ai que eu comecei a ver que falar sobre Complexidade é meta-complexo.

Dedici que era importante produzir mais conteúdos e dado o meu interesse sobre o mundo de blockchain e criptomoedas na época, eu escrevi um artigo completo sobre essa tecnologia e um vídeo explicativo sobre o protocolo de Bitcoin. Naquele período eu também estava lendo bastante sobre o campo de “Design Cultural” através do trabalho de Joe Brewer. E por entender aquele que este assunto era e é de alta importância, decidi escrever um outro artigo completo sintetizando o trabalho do Joe neste campo, o que acabou se desenrolando de uma maneira incrível. Ao saber da minha síntese sobre o seu trabalho, o Joe publicou uma tradução em inglês no seu blog que acabou alcançando outros brasileiros que seguiam o ele e que acabaram se conectando ao Emergir. E foi naquele momento que eu percebi o real poder do Emergir, apesar dela já ter se manifestado em outras ocasiões.

Conexões

Sem sombras de dúvida, durante toda essa jornada, uma das grandes forças motrizes pro trás do Emergir tem sido as conexões que foram emergindo conforme as coisas foram acontecendo. Isso é, as pessoas que se indenficam com o conteúdo e proposta do portal e decidem estar próximas. E foram muitas as conexões. Todas muito especiais. Por isso acho importante dedicar este momento a algumas delas.

A primeira, como já mencionei, foi a Alessandra Bernardo que chegou até mim através da própria Complexity Labs trazendo muito incentivo para que eu continuasse com a minha loucura.

Depois disso, tive a primeira interação pessoal com uma brasileira que estava vibracionando em frequências muito parecidas com a do Emergir. E quem diria, esse encontro foi na Coréia do Sul. Graças ao Samuel Emílio que fez a ponte, eu tive uma excelente noite de bate papos e comida apimentada com a Myrian, que, curiosamente, trilhava um caminho que começou de formas parecidas com o meu. Por exemplo, ambos optamos por não terminar os nossos cursos de Engenharia na Unesp. Conversar com a Mirian naquele momento foi também muito importante, já que ela me fez sentir compreendido, algo que era raro naquele período. Por isso também sou muito grato, querida! E obrigado pela conexão incrível, Samuca!s

Uma das outras primeiras pessoas a entrarem em contato e a primeira pessoa a oferecer ajuda de forma voluntária ao Emergir foi a minha prima Gabrielle. Eu lembro que também conversamos enquanto eu estava na Coréia e que o Porquê do Emergir ressoou forte com ela. Então, mesmo com os prazeres e desafios envolvidos no processo de cuidar de uma recem-nascida, ela decidiu me dar uma ajuda com as traduções do curso de Teoria da Complexidade, algo que eu nunca esquecerei! Obrigado, Gabi!

Ainda na Coréia, tive conversas muito legais com um amigo da outra universidade que ingressei antes da Minerva, o Luis! Na época, trocamos muito sobre o momento de transformações que estamos vivendo, sobre o papel de novas tecnologias no desenho de soluções para os nossos problemas e sobre o desejo dele de empreender e criar soluções! Tudo isso culminando em uma colaboração para traduzir o curso de Blockchain da CL. Valeu, Lute! Tamo junto, meu querido!

Já a síntese que fiz sobre Design Cultural vibracionou pela rede após o compartilhamento do Joe chegando até duas pessoas incríveis que me inspiram por suas ações. A Mariana e a Nathalia. Lembro a loucura que foi conhecer-las de forma separada, me identificar de forma tão profunda com as explorações de cada uma, e perceber que havia um texto que nos unia de uma forma totalmente improvável! Também me recordo com prazer como nos reunimos algumas vezes por zoom para trocar ideias e experiências. Obrigado, queridas. Nossa comunidade, apesar de curta, foi intencional de forma descumunal!

E a conexão com a Nathalia só expandiu. Ela me apresentou ao portal para a glocal-idade também conhecido como Estação Experimental Glocal para Ciências Abertas & Tecnologias Sociais P2P, abrindo uma dimensão de interações e dinâmicas completamente alienígenas para mim que têm me influenciado (ao mesmo tempo que as influencio) de uma maneira muito peculiar! Por exemplo, foi dentro do contexto da E2GLATS que emergiu a MetaTrilha de Mapeamento da Complexidade que, por sua vez, deu vida a várias intenções de mapeamentos de redes, sistemas e fluxos - algumas das quais estão canalizadas em um grupo de WhatsApp para o Mapeamento da Complexidade (Obrigado, Ana ;)). Foi também no ambiente da E2GLATS que conheci e continuo a conhecer pessoas que me inspiram de uma forma difícil até de descrever, e onde encontrei espaços para interações muito ricas em verdade. Por isso, sou muito grato por estar conectado a este cluster!

E como disse, a conexão com a Nathalia só expandiu, até o momento em que ela me convidou para participar de uma aventura que ainda é intensa. Depois de duas semanas de nos conhecermos, a Nathalia me convidou para se juntar ao time do projeto DAOstack, uma organização criando um conjunto de soluções tecnológicas que possibilitem o surgimento de DAOs (Decentralized Autonomous Organizations). Não vou entrar tanto nos méritos dessa experiência, já que isso necessitaria um outro artigo longo, mas posso dizer que os meses em que trabalhei de forma intensa com DAOstack foram essenciais para que eu pudesse estar escrevendo esse artigo sobre 1 Ano do Emergir de forma tranquila. Por isso - mas obviamente não só por isso - muito, muito obrigado Nathalia! Você é força viva que transborda!

Também logo no começo do Emergir, fui contactado por um rapaz bastante interessado pela Minerva. Na época, mecionei que havia tirado um ano sabático e tivemos poucas interações. Porém, conforme as coisas foram saíndo no Emergir, ele se mostrou interessado nas loucuras que eu estava escrevendo. Não demorou muito para que o Luiz Henrique se tornasse um grande parceiro do Emergir, colocando-se à disposição para ajudar no que fosse. Dado a sua paixão por desenvolvimento pessoal e estados de flow - materializados com muito capricho no seu blog Onfloow - conversamos sobre neurohacking e ele foi lá e produziu o que eu acredito ser um dos primeiro artigos sobre o tema em Português. Não demorou muito para que ele também produzisse um excelente artigo sobre o Emergir e a partir dai já estava selada a parceria. Para a alegria de todos nós! Muito obrigado, Luiz. Abraço forte. To torcendo por você!

Recentemente, o Luiz tem co-criado conteúdos para o Emergir juntamente com a Lara, uma amiga da Minerva que durante as suas férias de verão se dispôs a nos presentear com a sua voz para a narração dos novos vídeos do portal. É de fato um imenso prazer poder contar com o talento de uma pessoa que, eu sei, tem tanta intimidade com trabalhos vocais. E os resultados são obviamente incríveis, especialmente quando comparados com os primeiros vídeos do portal onde eu utilizava a minha voz seca. Lara, seu envolvimento com o Emergir foi uma surpresa muito grata! Valeu mesmo!

Por último, quero registrar aqui também toda a ajuda que recebi do João e do Paulo, bolsistas do Ismart que se voluntariaram para tornar o ISMAPA, o primeiro projeto do Emergir, uma realidade. João, Paulo, sem vocês o ISMAPA não teria ficado tão bacana quanto ficou! Gratidão enorme! Esse processo em particular merece destaque, então eu vou desenrolar ele no próximo capítulo.

ISMAPA

Depois de mexer bastante com textos e vídeos que viraram cursos e artigos, eu sentia que era importante explorar outras ferramentas para comunicar a Complexidade, talvez através do primeiro projeto do Emergir. Uma das formas que eu encontrei para tanto foi o mapeamento de redes com a ferramena Kumu. Ao brincar bastante com o Kumu para construir o site de Emergir, eu percebi que era possível utilizá-la para criar análises de redes poderosas, entendendo o comportamento e características de comunidades de pessoas como um todo. A grande questão era “em qual comunidade eu conseguiria fazer isso?” Felizmente - não só por esse motivo, mas também por toda a minha trajetória - eu fui um dos vários bolsista do Ismart (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos) e tinha bastante proximidade com eles. Assim, depois de bastante tempo de conversa e planejamento (Obrigado, Ismart) nós conseguimos chegar em um formulário que foi enviado a comunidade de ~2000 bolsistas com o intuito de mapear suas conexões. E todo o processo decorrente desse movimento foi de muito aprendizado.

Como mencionei, o João e o Paulo se voluntariama para ajudar nesse projeto no momento em que receberam o meu e-mail com o formulário. Em fevereiro de 2018 formamos um time emergente e durante algumas semanas trabalhamos intensamente para conseguir o maior número possível de respostas ao formulário, limpar e ajustas os dados obtidos e alimentar o kumu com os mesmos. Em cerca de um mês fizemos toda a parte analítica do projeto, mas por conta do meu envolvimento com DAOstack e uma viagem que fiz o processo ficou parado por alguns meses. Assim, a interpretação e “entrega” do projeto aconteceram apenas em Junho. Contudo, o resultado final, que você pode confirir abaixo, ficou incrível (na minha opinião), e ainda foi possível dar vida a um “sub-produto” do processo que é um tutorial de como fazer análises de rede no Kumu caso alguém queira se aventurar em explorações semelhantes. Assim, de forma geral o primeiro projeto do Emergir foi um sucesso e, como eu disse, ele com certeza não teria sido o mesmo se a ajuda do João e do Paulo! Valeu mesmo!

Amazônia, Europa

Logo após terminar de analisar os dados do ISMAPA no início de fevereiro, eu embarquei uma Jornada super especial para mim, a Jornada Amazônia. Por 10 dias estive em uma experiência de conexões intensas que até hoje me afetam fortemente. Não acredito que este seja o espaço para entrar nos detalhes do que foi aquela viagem no espaço-tempo, mas é possível ter um gosto do que eu vivi por lá através de algumas conversas que eu gravei para a Rádio Emergir.

Logo em seguida a esta experiência transformadora, eu tive a chance de ir até a Europa, primeiro para apresentar um TEDx, onde falei sobre o momento de mudanças que eu - junto com todos nós - vivia e vivo e depois para passar uma temporada em Paris e Barcelona. Em Paris iniciei um processo intenso de trabalho com o projeto de blockchain DAOstack, onde adquiri vários aprendizados valiosos sobre o mundo cripto. E em Barcelona tive o prazer de contribuir novamente com a Complexity Labs, que naquela época começava a criar uma base para suas atividades na capital catalã.

Durante todo esse tempo, que totalizou cerca de 3 meses, pouca coisa aconteceu no Emergir. Por um lado isso foi ruim, já que pouco conteúdo foi compartilhado e não aconteceram muitas interações, porém, por outro lado, as atividades que eu exerci me ensinaram muito sobre coisas que hoje estão presentes na dinâmica do Emergir. Logo, essa parte do processo também foi importante. Além de que eu vivi excelentes momentos nessas viagens.

Rádio Emergir

No início deste ano, assim que comecei a alimentar o Emergir mais intensamente, eu senti na pele que a mídia pela qual comunicados conceitos como complexidade e pensamento sistêmico tem uma influência muito grande na profundidade de absorção dos mesmos. Assim, comecei a pensar em quais outras mídias (além de vídeo e texto) poderiam tornar tais conceitos mais acessíveis e absorvíveis. E foi a partir dai que nasceu a ideia da Rádio Emergir, uma plataforma para conversas que abordassem o tema da complexidade através de várias perspectivas e as vezes até de forma sutil. O processo que deu vida à rádio foi longo, já que fiz a primeira entrevista para a mesma em Fevereiro, mas só fiz a primeira postagem na rádio em Junho - dado as dinâmicas que descrevi acima.

Contuto, hoje a Rádio está com uma frequência boa de episódios (com 10 no total) e já existem algumas conversas para entrevistas super incríveis, como a que aconteceu com a Alessandra sobre Teoria U. E eu acho fascinante o fato de que uma conversa intensa e rica pode ficar registrada para sempre no Emergir! Por essas e outras eu acho que a Rádio Emergir é uma das coisas mais legais que emergiram dessa jornada.

Experimentações em Rede

Inspirado pelas interações que vivo na Estação Experimental Glocal para Ciências Abertas & Tecnologias Sociais P2P, comecei a pensar em como seria possível fazer do Emergir uma plataforma que pudesse canalizar outras perspectivas sobre Complexidade e Pensamento Sistêmico, além das que eu trazia. Algumas experimentações me levaram a, primeiramente, modificar o site de maneira que ele pudesse acomodar escritores convidados, possibilitando que outras pessoas pudessem compartilhar o que delas ressoa com o Emergir. Isso foi muito bacana, principalmente porque essa funcionalidade estreiou com um texto incrível da Amanda Alface, uma pessoa de muita luz que conheci na Jornada Amazônia.

Co-criação em Rede

Um segundo passo nessa experimentação em rede foi criar um sistema colaborativo e - de certo modo - descentralizado para a produção de conteúdo a partir de uma curadoria de materiais originalmente em inglês. Assim, de forma muito tranquila, foi possível traduzir uma grande quantidade de materiais para o Emergir contanto com a ajuda de pessoas como o Luiz e a Lara. Em troca, eu consegui disponibilizar para eles alguns recursos cripto-monetários.

Grupo do WhatsApp

Por último, um salto quântico nessas experimentações em rede foi a criação do Grupo de WhatsApp do Emergir. Depois de uma experimentação com um ponto de contato no Telegram que não foi muito adotado - talvez por que esse app não está instalado no telefone da maioria das pessoas - eu criei um grupo do WhatsApp e a adesão foi e continua sendo supreendende. Já com as primeiras pessoas que eu adicionei, os fluxos de conversas e materiais foi intenso. Mas conforme mais pessoas foram chegando - adicionadas por outras pessoas ou seguindo o link do grupo - os fluxos se intensificaram de uma forma surpreendente. A qualidade das conversas e trocas é surpreendente e eu fico muito feliz de poder interagir com pessoas tão incríveis. Pessoas que estão realmente explorando as fronteiras daquilo que acreditamos que sabemos de forma a expandir a nossa capacidade de intenção, percepção e ação no mundo. Chega junto lá ;)

Mapeamento da rede

E muito inspirado pela incrível rede que se formou no ambiente do Emergir, eu imaginei uma infraestrutura que possibilitasse a auto-percepção dessa rede. Isso se materializou na criação de um mapa na ferramenta #kumu alimentado por um formulário online. Dessa forma, passou a ser possível enxergar as potencialidades do Emergir.

Caso você queira se mapear nessa rede, sinta-se à vontade.

Próximo Ano do emergir

Dada toda a não-linearidade desse primeiro ano do Emergir, fica óbvio para mim de que o próximo ciclo - e outros que estão por vir? - é impossível de prever. Dada a quantidade de fluxos fluindo por entre o que hoje é o Emergir, eu acredito que o único limitande desse portal sou eu mesmo, que as vezes posso me comportar como porteiro, tentando filtrar o que entra e o que não entra. Por isso, me anima muito as possibilidade emergentes para organizações em rede. Em rede porque não faz sentido estabelecer uma estrutura hierárquica no Emergir. Por exemplo, as tecnologias estão amadurecendo para o surgimento das DAOs (Decentralized Autonomous Organizations) {Organizações Autônomas Descentralizadas} e talvez essa seja uma das direções que o Emergir possa tomar.

Independente da forma em que isso ocorra, minha intenção é de que o Emergir seja cada vez mais uma coisa minha, por que isso nunca esteve presente na essência das movimentações iniciais que eu fiz. Como disse, no começa havia apenas uma intenção e ela tem sido honrada até aqui. Eu registrei uma “extenção” dessa intenção de disseminar o paradigma da complexidade quando escrevi Sobre o Emergir:

Emergir é uma iniciativa independente com um objetivo claro: disseminar os fenômenos que caracterizam o paradigma da Complexidade. Com isso, espera-se catalisar novas possibilidades de pensamento, organização e ação no mundo. Isto é, interpretações que reconheçam a importância dos processos sistêmicos de adaptação e emergência para a resolução de problemas no século XXI.

Essa esperança é ainda muito viva e verdadeira. E de certo modo ela está como plano de fundo para tudo que eu coloco de energia no Emergir. E, sem dúvidas, eu ficaria muito feliz caso o Emergir fosse, perante a interpretação de cada pessoa que se conecta ao portal, um catalisador de novas possibilidades. Assim, espero que esse próximo ano de Emergir esteja recheado de interações, conexões e, por que não, materializações. As perspectivas disso acontecer são muito boas, haja vista tudo o que foi descrito aqui e o que se aponta no horizonte. Chegue junto se ressoar com você.

Obrigado!

Agradecimentos Especiais

Reservei essa sessão para fazer alguns agradecimentos especiais que não coloquei durante o texto. Esses agradecimentos são bastante importantes para mim, por que eles dizem respeito a partes do processo do Emergir que também fazer parte do meu processo individual.

Em primeiro lugar, quero agredecer a Marion Jabot por ter sempre estado ao meu lado e me apoiado nas decisões malucas que eu tomei no ano passado e nesse ano. E também agradeço-você por ter vivido comigo alguns dos períodos mais incríveis da minha minha vida - incluindo a nossa temporada em Ghent, onde tudo realmente começou para o Emergir. Também agradeço pela paciência com a minha obseção com certos assuntos.

Também mando um agradecimento especial para o Joss Colchester, que abriu um portal para mim quando respondeu ao meu e-mail sobre uma possibilidade de trabalho com a Complexity Labs e que, durante aquele estágio, serviu como um mentor para mim. Além disso, me deu um super apoio para o início do Emergir disponibilizando todo o seu banco de dados de images e vetores utilizados nas produções da Complexity Labs.

Her, DD, Michael, thank you very very much for having given me shelter when I was left homeless in Seoul. I started working on Emergir in that apartment and those memories - alongside the other ones we had together - will never leave my heart! Lusana, Shajara, Ele, Jomo same goes to you! Thank you for such an amazing time.

Danilo, obrigado também pelo acolhimento e por todas as lições que você me ensinou na Coréia. Os dias de treinamento foram e continuam sendo essenciais para tudo que emergiu daquele período em diante.

Gui, também preciso colocar aqui a minha gratidão por você ter me ajudado com uma situação financeira tão delicada logo no início dessa aventura toda. Você ter me vendido aqueles bitcoins fiado até eu ter conseguido resolver a situação com o terrível sistema do Bradesco foi essencial. Muito obrigado mesmo!

Luana, muito obrigado por ter me convidado para participar do [email protected] Esse evento foi um marco na minha vida, e me fez refletir sobre vários aspectos das dinâmicas da minha vida. Valeu mesmo. Também pela ajuda na surpresa!

Joe, thank you for having shared the piece I wrote on Cultural Design to your network. That action opened up flows in my way that I couldn’t even conceive. Thank you!

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