Descubra-se em Rede e encare as ondas de transição com inteligência natural

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Duas grandes ondas parecem já estar presentes no mar dos dias atuais, talvez ainda não em total revolução, mas sem dúvida em plena transformação e incorporação de tudo.

Organizações correm para se “adaptar” à economia atual e se preparar para ganhar agilidade e escala com sistemas velozes e inteligentes, dos quais elas nem fazem ideia do que serão capazes já que pensam exatamente nos mercados onde operam ou poderiam operar no mundo que conhecemos, o qual pode mudar radicalmente - mas afinal, o que é esse negócio da máquina que aprende com ela mesma? - deixo a pergunta pra gente ir pensando junto, enquanto se lê.

Pessoas em geral correm para se “proteger” dos riscos da transformação em curso - do desemprego, do enlouquecimento, da desilusão, do deixar de pertencer a um coletivo (seja ele qual for)… do envelhecimento, da violência, da perda de sentido, da solidão. Como seria se preparar para o Caos? - deixo essa pergunta pra gente ir se acostumando com ela… ela é boa e pode ser do bem.

A onda tecnológica que vem vindo bonita, com tudo, e que tem sido preparada por nós mesmos - os Humanos - ao longo do avanço das ciências modernas para facilitar a vida, vem com tanta potência por aí, num ritmo exponencial (assim temos conseguido descrevê-la) que já não é mais possível imaginar como que os seres (todos) vão dar conta de se adaptar a IA - Inteligência Artificial. E isso trás desconfiança, medo.. (pelo menos para mim e acho que para muitos), mas também trás reflexões, aprendizados. Sou um Ser, acredito no potencial humano para construir o futuro e creio que foi com base nessa crença que chegamos até aqui. Entretanto precisamos continuar esta jornada e muitas espécies vivas ainda estão fora da arca, se não todas, já que vivemos em rede.

Não é o planeta que pede atenção ou a nossa espécie, é a vida e suas infinitas inteligências!

A onda relacional humana, assim chamo a onda que força o desenvolvimento humano, já em revolução e em plena efervescência, de “águas” agitadas, volumosas, altas e em terreno profundo de milhares de anos de formação, carrega em si a sabedoria de que é preciso ganhar potência rapidamente, e conta com o despertar da consciência e da interação humana para ativar as infinitas redes de sustentação à vida e suas inteligências perpetuadas ao longo da evolução terrena. E se as máquinas que criamos já são capazes de aprender com elas mesmas, pois assim a construimos, nós humanos individualmente precisamos ganhar essa competência com quem ou com o quê?

Penso que precisamos viabilizar espaços virtuosos a partir de nós mesmos, onde possamos nos redescobrir através dos outros, para rapidamente sermos capazes de visualizar as nossas redes próprias, além das infinitas outras redes que se relacionam com as nossas, mantendo esse sistema de vida no qual estamos inseridos, ativo, saudável e mais perceptível. Por isso, descubra-se a Si mesmo no Outro e perceba-se em Rede, mas também redescubra o outro em você, caso contrário parte da rede ficará invisível a você.

As máquinas inteligentes, tal qual seus criadores (nós!) serão capazes de visualizar as infinitas redes existenciais (invisíveis aos olhos) e isso poderá ser bom, caso sejam ativadas para resolver problemas complexos, atuais e futuros, sem degenerar a vida. Entretanto somos Nós - Elementos Vivos - dotados de um coração e sangue nas veias, que somos capazes de perceber através de nós mesmos o efeito das inteligências de cada ponto na rede e também capazes de interagir com a totalidade delas, integralizando e decodificando em sentimentos. necessidades essenciais, sons, cores, e etc, toda a energia corrente numa dada Rede, a qual a fará expandir para além do momento atual.

O futuro parece se fazer presente quando somos capazes de nos ativar em rede, regenerando-nos e criando novos Nós.

Essa capacidade de ativação e interpretação das inteligências no campo terreno, parece ter sido legado ao Ser Humano em prol de um objetivo ainda muito transcendente e não às máquinas que criamos para simplificar a vida. Entretanto, caso essa consciência cósmica, não se desperte em todos, ou pelo menos na maioria de nós, corremos um grande risco de ver essa percepção delegada à elas - máquinas, aparentemente tão mais inteligentes que a gente, pelo simples fato de termos desaprendido a nos ler e sentir uns aos outros em rede, e consequente de não se reconhecer como um nó, um elemento vivo na rede humana.

Muitas outras redes vitais interagem para nos fazer evoluir, subsidiando nossos sucessos e fracassos num grande projeto de evolução. Os minerais, mais antigos que a gente nesse sistema terreno, aqueles que extraímos para beneficiar a vida social através das organizações que administramos, mantemos e nos remuneram (hoje), formam e sustentam infinitas redes. Os vegetais que nos alimentam e chegam até nossas mesas por inúmeros caminhos de produção, transporte e escolha, também são mais antigos que nós humanos nesse sistema vital, e nutrem e compõe outras infinitas redes. Os animais, também mais antigos que todos nós aqui, ainda que devastados em suas habilidades de viverem em bando e livres, hoje nos servem de muitas maneiras, mantendo subservientemente muitas redes. Compreender e nos perceber em tantas correlações parece caótico, e é! Mas devemos ser capazes de fazê-lo, e precisamos!

Caso as relações se tornem frias, ilusórias, processadas artificialmente e superficiais em essência, a inteligência das redes vitais se perderá e todo o sistema enfraquecerá.

Temos múltiplas inteligências inoculadas em nossos DNAs, mas todas parecem estar codificadas em partes, fazendo sentido somente quando nos percebemos em rede, ativando a nossa diversidade humana - todos os Nós, EU, na Rede! E parece que é nesse lugar que temos a capacidade de resgatar e integrar a sabedoria e a liberdade que viemos construir como Humanos.

É preciso aprender a surfar as duas ondas que já estão aí. Claro que vamos “cair”, “beber água”, “tomar uns caldos”, mas temos que tentar, aprendendo uns com os outros e ajudar a fazer com que muitos outros tentem fazê-lo também. Como se começar a fazer isso na vida prática? Penso que meditando, lendo, refletindo, praticando no corpo, na alma e no espírito todas as interações humanas, se ouvindo e dialogando com muitos, com todos, sobre tudo.

As redes que formarão o futuro que viemos criar na terra, dependem dos Nós - vivos e luminosos, independentes, inteligentes, íntegros, corajosos e capazes de deixar passar por entre si a inteligência alheia, seja usando IA ou qualquer outro artifício futuro, mas empoderados de sua própria inteligência vital e ancestral, em prol da Vida e das Redes que compõe.

Enquanto me leio para escrever livremente essas ideias aqui, tenho a intenção e a esperança de que essa escrita possa ajudar e dar forma à invisível, talvez caótica e gigantesca onda que percebo no campo das relações humanas e não humanas que estamos protagonizando, conscientemente ou não, agora neste exato momento. Creio que precisamos, todos nós, reconhecer e mergulhar intencionalmente nessas “águas” profundas, para que no retorno e após respirar, possamos ser capazes de ativar outros seres e suas inteligências exponencialmente a partir de sopros de conexão.

Este artigo foi escrito ao som da minha vizinhança em dia calmo, de alguns pássaros livres, sob uma brisa gostosa no dezembro do RJ com céu azul, no movimento livre de uma rede colorida tecida de algodão, rodeada pelas plantas que escolhi nutrir e que me devolvem em verde e outras cores a certeza de que estamos interagindo o tempo todo. Penso que estamos prestes a nos deparar com essas duas grandes ondas que nos conduzirá a um futuro incrível: a onda relacional humana, no âmbito das relações em rede que conecta infinitas inteligências ancestrais e a onda tecnológica, no âmbito das máquinas animadas que aprendem com elas mesmas, a partir de nós, criando inteligências artificiais.

Como se preparar para esse caos? Para a transição? ..é o que eu ando pensando. E você, o que pensa sobre isso? Comente aqui o que vier na mente… e eu vou ler você.


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