“Quantidades podem ser medidas; Qualidades precisam ser mapeadas.” Fritjof Capra

Desde reações químicas em células, até informações circulando entre pessoas em uma comunidade, as redes são um padrão fundamental de organização de todos sistemas vivos1. Portanto, os conhecimentos e insights provinientes de seu entendimento são extremamente importantes para todas as tarefas envolvendo agentes interconectados. Isto é, para todas ações relacionadas a sistemas complexos.


Dentro deste contexto, encontra-se o ISMAPA. Uma exploração entre Emergir e Ismart com caráter experimental e educacional que visa explorar as possibilidades trazidas pelo mapeamento - e análise - de redes de pessoas (comunidades) para o planejamento de ações em prol desta rede.

Compartilhamos aqui os resultados desse processo, bem como os seus aprendizados.

ISMAPA

No início de 2018, os mais de dois mil brilhantes bolsistas do Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart) foram convidados a responder um questionário indicando os membros da Comunidade Ismart com os quais eles mais integarem. Ou, em outras palavras, as suas principais conexões dentro desta rede.

Utilizando estes dados, o Emergir mapeou a comunidade de bolsistas do Ismart através da ferramenta para mapeamento e análise de redes Kumu, dando origem ao ISMAPA. Neste processo, foi possível identificar:

  • Como a rede se formou ao longo dos anos - desde a sua primeira conexão em 1992 até as conexões feitas em 2017;
  • Como ela é composta atualmente, principalmente em relação a fatores geográficos;
  • Em quais contextos os bolsistas do Ismart tendem a se conectar;
  • Alguns insights provenientes da Teoria de Redes que podem auxiliar o Ismart em seus planejamentos e na elaboração de atividades para a sua comunidade - tendo em vista as maneiras pelas quais seus bolsistas estão conectados.

Os resultados do ISMAPA estão organizados na aprensentação abaixo, seguidos de algumas reflexões sobre o processo de mapeamento. Mas antes, vale a pena ressaltar que, de maneira a anonimizar os bolsistas e suas respectivas posições na rede, os seus nomes foram encriptografados utilizando a função DM5. Caso você seja um bolsista e queira ver o nó que representa a sua posição na rede, siga os passos descritos na apresentação.

Também é importante deixar claro que o ISMAPA não é uma representação fidedigna da comunidade de bolsista do Ismart já que o formulário de coleta de dados não recebeu 100% de respostas. Esse fator é explorado com mais detalhes na apresentação.

O ISMAPA

Aprendizados

A realização do ISMAPA foi um processo que demandou bastante energia, com uma considerável mobilização para coleta e processamento de dados da comunidade de bolsistas do Ismart. Recebemos mais de 700 respostas, o que nos mostrou o poder de uma boa estratégia de comunicação (feita principalmente for e-mail) em uma comunidade tão grande. Neste sentido, fica um agradecimento especial ao bolsistas Ismart João Pedro Oliveira pela grande ajuda com a produção de mídias gráficas e a comunicação do projeto.

Gráfico enviado à comunidade para a coleta de dados

A análise dos dados em si foi tomada como um processo de aprendizagem e experimentação com as teorias e ferramentas para o estudo de redes. A ferramenta utilizada foi a poderosa plataforma Kumu, que torna fácil a realização de análises de redes com alguns dos softwares mais reconhecidos neste campo, enquanto permite a criação de mapas que são visualmente informativos - e interativos. Aqui, cabem os agradecimentos ao Paulo de Tarso por ter ajudado com o preparo dos dados para alimentar o ISMAPA no Kumu.

Tutoriais Kumu

Durante o processo de análise, ficou claro que saber manipular a ferramenta Kumu é um conhecimento muito valioso, dada a sua grande flexibilidade e poder de processamento de dados. Por isso, o Emergir decidiu registrar o desenvolvimento do ISMAPA, o que deu origem a uma série de vídeos tutorias sobre a ferramenta. Assim, outras pessoas poderão aprender com este processo e utilizar Kumu em outros projetos.


Uma das conclusões importantes pós-processo de análise de redes foi a importância das perguntas que são feitas durante a coleta de dados. Entender quais são as perguntas que trarão a maior quantidade de insights possíveis é essencial, e esse é um ponto que seria feito diferente em uma outra versão do ISMAPA. Apesar das perguntas no formulário enviado à comunidade terem informações importantes sobre como a rede foi formada (quando as conexões aconteceram, em qual contexto, e como elas se diferenciam em importância), seria possível estabelecer melhores perguntas de maneira a ganhar insights sobre como esta rede se comporta hoje e como ela pode evoluir no futuro. A limitação do número que conexões que cada aluno poderia indicar, também foi uma decisão de design que limitou a coleta de dados sobre a rede, não permitindo o total mapeamento de sua complexidade.

Contudo, o ISMAPA vive como um exemplo do poder das análises de rede para geração de insights que podem ser integrados à tomadas de decisões em uma organização perante uma comunidade.

Créditos

Os alunos mencionados acima, João Pedro Oliveira e Paulo de Tarso se voluntariaram e ofereceram um suporte essencial para a realização do ISMAPA. Portanto, eles são autores integrais deste projeto.

E um agradecimento especial ao próprio Ismart, que forneceu toda a ajuda necessária com a coleta dos dados e brainstorming para o ISMAPA.

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Referências

  1. http://www.capracourse.net/www-2/wp-content/uploads/sites/19/2017/06/Lecture-2-Summary.pdf