Por que Emergir? E Pensamentos Sobre Como

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Os eventos que marcam o século XXI expõem um padrão característico deste período: mudanças cada vez mais rápidas e com um crescente poder de transformação social, tecnológica e ambiental. A virada do século evidenciou os benefícios e malefícios de um mundo totalmente conectado. Por um lado, avanços tecnológicos como a internet e os smartphones aproximaram pessoas, nações, economias e culturas. Mas, por outro, eles também facilitaram processos globais que ameaçam a vida harmoniosa na Terra. Crises econômicas, terrorismo organizado e o estabelecimento to “mundo pós-fato” podem ser apontados como consequências reais da hyperconectividade que nos rodeia. E, por sua vez, tais ameaças fomentaram a ascenção global de lideranças e ideologias político-econômicas que, ao tentar remediar problemas de escala global com soluções míopes, se auto-estabelecem como alvos de processos macro de retro-alimentação. Por exemplo, as recentes decisões norteamericas “anti climate change”, e os subsequentes desastres naturais que assolaram o país. Portanto, é evidente o momento-chave em que vivemos. Enquanto muitos reconhecem que já temos o conhecimento e meios tecnológicos para a resolução dos problemas que nos mantêm no século XX, decidimos agir (individualmente e coletivamente) de maneira a perpetuar dinâmicas nocivas a nossa própria existência. Um interpretação holistica do porquê desta inércia mostra que o exercício de apontar dedos pouco ajuda na construção de alternativas viáveis. Assim, de maneira a pensar sobre esse momento-chave - e fazer emergir soluções adapatáveias às mudanças que ainda estão por vir - é necessário abstrair para além do futebolismo de “esquerda e direita”. Afinal, se existe alguma certeza é a de que o século XXI exige síntese e integração, tanto de pensamento como de ação. Contuto, antes de discutir soluções, é necessário enteder este momento-chave. O que também pode ser interpretado como uma transição.

Transição

Seja pelo raciocínio livre ou através dos domínios da razão, fica cada vez mais claro que estamos vivendo um processo de transição de grandes proporções. Contudo, o “rosto” e nome desta transição dependerem de quem a interpreta. Por exemplo, interpretações esotéricas podem se referir a este momento como a chegada da Era de Aquário1 ou até mesmo como a chegada de Maitreya - a figura metafórica do próximo Buddah ou mesias2. Ao mesmo tempo, interpretações seculares debatem sobre a entrada da Época Antropoceno - a época geológica seguinte ao Holoceno.

“The Anthropocene is a new era where one species dominates the processes of the planet, causing potentially another mass extinction, monopolizing most of the energy and material flows in the planet, having changed all the natural cycles and dynamics through our interventions in those biogeochemical cycles.” Manfred Laubichler, Santa Fe Institute3.

“Antropo” tem origem na palavra grega ἄνθρωπος (anthrōpos) que se traduz como “homem”. Assim, o crescente consenso sobre a entrada desta nova época baseia-se na drástica influência humana nos processos geológicos terrestres, bem como nas consequências catastróficas de tal fenômeno. É difícil aportar com certeza quando esta nova época se inicia. Enquanto alguns pesquisadores apontam para 1945 - devido os eventos atômicos que caracterizaram tal ano - muitos ainda afirma que este é um processo mais longo, iniciado com a Revolução Industrial no século XIX3. Já as interpretações esotéricas sobre esta transição tendem a ver o final do século XX - mais especificamente as décadas de 1960 e 1970 - como o período inicial desta transição.

Ponto de Inflexão

Independente das interpretações e discussões sobre o início dessa transição, ela é real. E uma síntese holística de fatos e eventos atuais leva à constatação de que nós estamos em um ponto decisivo deste processo.

“We are currently at a major historical inflection point. Right now, several major s-curves are linking up at the same time and reinforcing each-other.” Jordan Greenhall, Deep Code4.

Enquanto assistimos ao desenrolar das decisões globais de alta-escala relacionadas ao futuro da economia, do ambiente e da paz, nos acostumamos com ameaças nucleares que são tratada com naturalidade nos noticiários. E dia após dia aprendemos a calar nossas emoções ao assistir centenas de pessoas morrendo à beira da praia no que é a maior crise de refugiados da história da humanidade5. Além de fingirmos um cegueira coletiva em relação às crescentes temperaturas do planeta - o que apenas agravará as outras ameças existênciais6. Tais posturas individuais e coletivas montram-se completamente inadequadas, ainda mais porque a situação já está mais delicada do que gostamos de imaginar.

“There is now ample evidence that human activities have pushed us beyond as many as four of these critical operating boundaries for a globalized economic system.” Joe Brewer, Cultural Evolution Society7.

E embora seja possível encontrar conforto e transferência de responsabilidade na ideia de que governos e/ou mercados são suficientes para evitar o pior, tanto evidências cientficas quanto experiências subjetivas mostram o contrário.

“Today, after a long history of regional success, the nation-state is failing us on the global scale. It was the perfect political recipe for the liberty and independence of autonomous peoples and nations. It is utterly unsuited for interdependence.” Benjamin Barber, If Mayors Ruled the World8.

“According to Kuhn, this crisis phase will persist indefinitely, regardless of the emergence of new data, until a new way to think about economic theory emerges – this will be the paradigm shift which resolves the crisis. The various competing schools of thought will see in any new data what they want to see.” George Cooper, Evonomics9.

Isto porque o que estamos vivenciando é uma “Grande Transição Além dos Impérios”, como definido pelo pesquisador da complexidade Joe Brewer10, onde enfrentamos dilemas entre valores seculares e tradições estabelecidas (culturalmente e cognitivamente). Pela primeira vez estamos sendo confrontados com os limites ecológicos do nosso meio, o que é algo que nenhum grande império na história da humanidade teve que enfrentar. E para a resolução de problemas sistêmicos dessa grandeza, são necessárias soluções em rede, que transcendem as fronteiras de impérios e os egos de imperadores.

“We now have to choose between two metaphors for our planetary civilization — we can be a cancer that kills its host or a butterfly that arises transformed from the mindlessly consuming caterpillar. But it is incumbent upon us now to collectively choose before the choice is made for us by the cumulation of decisions made in the past. There are consequences for inaction in times like these.”10

O Pior

Ao longo de bilhões de anos, a Terra tem mantido ciclos dinâmicos de auto-regulação altamente complexos que, dentre outras coisas, permitiram o surgimento e a evolução da vida até as formas em que ela se manifesta hoje em dia. Porém, existem condições limites para o funcionamento efetivo destes ciclos e, atualmente, com a crescente interferência humana em tais processos, elas não estão sendo respeitadas. O Stockholm Resilience Institute é um centro internacional de pesquisa focado em desenvolvimento social através da reconexão com a biosfera. Uma de suas iniciativas define e supervisiona os “Nove Limites Planetários” para o equilíbrio do sistema sócio-ecológico que rege a vida na Terra11. Em seu relatório de 2015 o Instituto divulgou resultados alarmante, que denunciam como já ultrapassamos quatro dos nove limites. Um dos insights mais impressionantes é o de que os limites relacionados às mudanças climáticas não estão na zona de alto risco (beyond uncertainty) do mapa. Ou seja, apesar da já insuficiente preocupação com as mudanças do clima, esse é um problema “pequeno” quando comparado com outros fenômenos que regulam os ciclos biogeoquímicos do planeta.

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“Given the novelty of the waves we are dealing with, it is very likely that our current historical moment is a once in a thousand-year or a once in ten-thousand-year event. A “mode of civilization” level event (e.g., the rise of Western Civilization from the dark ages) or a “mode of human organization” event (e.g., the rise of “civilization” itself).” Jordan Greenhall, Deep Code4.

Em resumo, estamos passando por uma transição civilizatóra sem precedentes. E neste processo, o início do século XXI representa um momento de inflexão decisivo. Por um lado, a humanidade enfrenta mazelas ambientais e sociais que são ameaças reais à sua continuidade no planeta Terra. Por outro, muitos argumentam que já existem soluções para estes problemas, de maneira que uma visão utópica de equilíbrio sócio-ambiental não está distante. E apesar dos pontos levantados neste artigo até o momento serem alarmantes, o seu objetivo maior é demonstrar que ambas as possibilidades são possíveis. É tudo uma questão de escolhas conscientes.

Novos olhares para Enxergar

Dado que os desafios apresentados por este ponto de inflexão são de uma natureza completamente única, faz-se necessária a adoção de um novo paradigma conceitual para sua compreensão. E, mais importante ainda, para a prototipagem de soluções. Infelizmente, pouco tem sido feito nesta direção pelas instituições padrões responsáveis por ensino e planejamento estratégico. Pelo contrário, a grande maioria destas instituições está presa em um paradoxo de inadequações. Afinal, apesar de elas serem a esperança por soluções para os problemas complexos do século XXI, suas estruturas (geralmente hierárquicas-lineares) tendem a criar burocracias que inibem a inovação e a ação12.

“Where humanity is going, there are no roadmaps. The terrain is unlike anything we’ve seen before. The changes sweeping the Earth right now are literally planetary in scale and so filled with complexity that few among us even have a semblance of knowing what is actually going on.” Joe Brewer, Cultural Evolution Society7.

Obviamente, nenhuma outra instituição encontrou as saídas escaláveis - do contrário os riscos não existiram. Contudo, as possibilidade mais promissoras têm sido esboçadas por aquele que abraçam a complexidade, ao invés de tentar ignorá-la.

Mas afinal, o que é a Complexidade?

É extremamente fácil se perder com o uso da expressão “complexidade” e seus derivados. Quem vos escreve foi culpado desta falha inúmeras vezes. Assim, é importante adquirir uma compreensão clara do que este conceito significa, de forma a transcender o seu uso coloquial e utilizá-lo de maneira a auxiliar o raciocínio (ao invés de inibí-lo). Para além de caracterizar a dificuldade de uma situação, a complexidade refere-se a uma abordagem interdisciplinar de investigação de fenômenos, distinta das abordagens tradicionais postas pela ciência newtoniana. Devido ao uso de novas técnicas e teorias em seu processo de indagação, a complexidade é muitas vezes classificada como um novo paradigma, “que visa associar sem fundir, distinguindo sem separar as diversas disciplinas e formas de ciência.”13 A palavra “complexo” tem origem no Latin e combina as raízes “com” (que significa “junto”) e “plexo” (que significa “tecido” ou “entrelaçado”). Logo, fica claro que algumas das características principais da complexidade são a interconectividade e a interdependência14. Este paradigma é utilizado para caracterizar e estudar entidades - sistemas - que têm muitas partes interagindo umas com as outras de múltiplas formas distintas, culminando em ordens superiores de emergência que são maior do que a soma de suas partes constituintes14. Assim, sistemas complexos são abstrações que podem ser utilizadas para o estudo e modelagem de fenômenos emergentes em diferentes áreas do conhecimento - da biologia à antropologia. E a complexidade serve como estrutura que conecta estes diferentes campos através de investigações multi-disciplinares.

Ao reconhecer que os grandes problemas do século XXI são interdependentes com dinâmicas de retro-alimentação que os conecta, novos olhares interpretativos começam a emergir - e como consequência, novas maneiras de lidar com esses problemas. Tal processo é extremamente importante. Afinal, estão evidentes as limitações dos paradigmas filosófico-científicos reducionistas, que tendem a superanalisar as partes elementares que compõem um sistema sem dar devida atenção ao seu ambiente e às conexões entre seus componentes. Assim, dados os altos níveis de conectividade dos atuais sistemas ecológicos, econômicos, políticos e sociais, a adoção da complexidade como paradigma padrão mostra-se como uma alternativa viável para guiar o processo de busca por soluções efetivas, bem como a transformação sistêmica e adaptativa que é necessária para a existência harmoniosa da espécie humana no planeta Terra - e além.

“No problem can be solved from the same level of consciousness that created it.” Albert Einstein.

A adoção de um novo paradigma conceitual é um processo que acontece em diferentes níveis. E uma vez que um paradigma representa uma nova maneira de se olhar para o mundo (novos óculos pelos quais lemos a vida), tanto cognição como consciência devem ser exercitados para tornar este novo olhar natural à experiência subjetiva. No que diz respeito ao paradigma da complexidade, o foco deste exercício está no fenômeno da emergência.

Emergência

Como descrito acima, a emergência é o processo pelo qual sistemas complexos formam padrões macro de organização (através de interações de escala micro) que são maiores do que a soma dos comportamentos individuais de seus elementos. Em um gif…

Emergence

Neste excelente exemplo do que é a emergência (obrigado Nicky, observa-se como um novo padrão de organização macro (movimentação da esquerda para a direita) surge do simples comportamento das partes individuais (movimentação vertical). E, mais importante, como este novo padrão é fundamentalmente diferente do padrão de organização micro. Para uma explicação ainda mais completa (e um pouco mais longa), assista ao fantástico vídeo feito pelo canal Kurzgesagt.

  Ao abstrair tal ideia e tentar entender como ela se aplica aos sistemas complexos que estão ao nosso redor (desde a economia até os sistemas de organização social), podemos encontrar novos padrões organizacionais que pertencem a um outro paradigma de pensamento e de possibilidades. Ao tentar entende o todo como um fenômeno gerado pelo comportamento em conjunto das partes, começamos a perceber a importância sistêmicas das conexões entre essas partes e do ambiente no qual elas estão inseridas. Em outras palavras, começamos a investigar tais sistemas através do paradigma da complexidade.

Como Emergir?

Este processo de abstração pode ser difícil e pouco intuitivo. Afinal, os processos de condicionamento cognitivo que estabeleceram o atual paradigma de pensamento têm origem em fenômenos sócio-culturais de longa data, como o domínio do pensamento descarteano na ciência, o desencadear da Revolução Industrial no ocidente e a subsequente organização social emergente focada em produção e consumo em massa. Nesta narrativa, o pensamento analítico reducionista serviu como base para o avanço das métricas unidimensionais de sucesso (QI, PIB, etc.). O que é compreensível, uma vez que os níveis de conectividade e interdependência entre diferentes sistemas sócio-econômicos do passado eram irrisórios, especialmente quando comparados aos níveis atuais. Porém, as conjunturas contemporâneas caracterizam um ponto de inflexão dentro da época Antropoceno que exigem um posicionamento a respeito de como continuaremos a reger a vida na Terra. É este contexto que motiva a existência deste portal.

O objetivo do Emergir é disseminar os fenômenos que caracterizam o paradigma da Complexidade. Com isso, espera-se catalisar novas possibilidades de pensamento, organização e ação no mundo. Isto é, interpretações que reconheçam a importância dos processos sistêmicos de adaptação e emergência para a resolução de problemas no século XXI.

São notáveis os desafios para alcançar este objetivo. Porém, é possível encontrar resiliência nas conexões com quem reconhece a importância do momento em que vivemos - e a urgência de uma mudança de paradigma. Assim, à semelhança de processos emergentes em sistemas complexos, acreditamos na possibilidade de alcançar resultados que são > ∑(partes) - maiores do que a somatória das partes envolvidas - sejam eles quais forem.

Para tanto, o Emergir foca suas energias na produção de conteúdo - sempre livre, licenciado através das licenças Creative Commons.

Temática

O conteúdo produzido pelo portal cobre uma ampla gama de tópicos. Algo natural, dado o aspecto interdisciplinar que caracteriza a complexidade. Porém, em ordem decrescente de abstração, estes são os temas principais que conectam este trabalho:

  • Cognição

Uma mudança de paradigma de altas proporções exige uma revisão nos mecanismos que regem a cognição. Assim, o Emergir explora teorias e meta-conceitos sobre o pensamento que se mostram mais adaptáveis à vida no século XXI.

  • Ciência da Complexidade

O estudo de fenômenos de natureza complexa exige uma “caixa de ferramentas” diferente daquela utilizada pela ciência convencional. Dentro desta caixa encontram-se a Teoria de Redes, a Teoria da Informação, o estudo de Sistemas Dinâmicos, a Modelagem baseada em agentes, a Não-linearidade, a Ecologia, a Teoria dos Jogos e outras técnicas e abordagens. A ideia aqui é explorar todas estas ferramentas e suas aplicações mais relevantes.

  • Tendências Tecnológicas

Atualmente, o movimento de decentralização é um dos melhores exemplos de abordagem que - deliberadamente ou não - utiliza a complexidade para a resolução de problemas. Ao “abraçar a hyperconectividade” e criar soluções que facilitam uma diversidade de trocas peer-to-peer (p2p), os sistemas decentralizados emergem como alternativas cada vez mais atraentes aos sistemas lineares extremamente burocráticos que herdamos do século passado. Assim, o Emergir se propõe a explorar e explicar as tecnologias e aplicações mais relevantes por trás da decentralização. Tais incluem projetos em blockchain (e sua evolução), cripto-moedas (como bitcoin e ether), e outros protocolos e métodos p2p.

Formatos

Atualmente, grande parte do pensamento e experimentação complexa está sendo feitos em Inglês, o que representa uma barreira natural para a sua disseminação. E de maneira a superar esta barreira para além de traduções textuais, o Emergir faz uso dos seguintes formatos:

  • Cursos Animados

Animações são um ótimo meio para a comunicação de ideias abstratas. Assim, o Emergir disponibiliza cursos animadados em sua frente educacional. Este conteúdo está disponível em redes de relações que enfatizam as conexões entre os diferentes tópicos.

  • Podcast

Podcast são transmissões e/ou gravações de aúdio que se inspiram no formato do rádio para a comunicação de informação. Sua característica dinâmica facilita a transição entre diferente aspectos de um assunto. E eles também permitem a interação com ouvintes e convidados. O Emergir utilizará este formato para a exploração de tópicos e conversas com pessoas cuja ocupação está alinhada com as premissas do portal.

  • Projetos

O portal também serve como vitrine para projetos relevantes à exploração do paradigma da complexidade.

Por fim

Com tudo isso, espera-se que o Emergir seja uma fonte de informação relevante para o momento de transição que se apresenta. Ao tentar catalizar novas maneiras de se pensar, organizar e agir, é assumida uma postura otimista em relação ao ponto de inflexão em que vivemos. E, acima de tudo, uma esperança de que é possível viver de forma harmoniosa com nós mesmos, os outros, e o ambiente.

The post-capitalist, post-materialist societies of the future, thus, represent the emergence of not just a new form of civilization entirely — but a new form of human being, and a new way of looking at, and being in, the world. This new “self” will be premised on envisioning the inherent unity of the human species, the interdependence of humankind with nature, and a form of self-actualization based on safeguarding, exploring and nurturing that relationship, rather than exploiting it.15

Avante, em rede!


Referências

  1. https://www.youtube.com/watch?v=CcnYzgUghXY 

  2. https://en.wikipedia.org/wiki/Maitreya 

  3. https://www.santafenewmexican.com/pasatiempo/books/into-the-anthropocene-santa-fe-institute-s-panel-on-the/article_78527ac1-231c-5868-8d05-ef444b8bdc26.html  2

  4. https://medium.com/deep-code/foundational-assumptions-e81b5b55e3ff  2

  5. https://internal-displacement.org/global-report/grid2017/ 

  6. https://www.iom.int/complex-nexus 

  7. https://shift.newco.co/cultural-evolution-in-the-anthropocene-8cf93fcad322  2

  8. https://benjaminbarber.org/books/if-mayors-ruled-the-world/ 

  9. https://evonomics.com/a-paradigm-smith-marx-darwin-cooper/ 

  10. https://medium.com/personal-growth/solving-a-problem-that-has-not-been-named-de5d3ef54d6c  2

  11. https://www.stockholmresilience.org/research/planetary-boundaries/planetary-boundaries/about-the-research/the-nine-planetary-boundaries.html 

  12. https://medium.com/@joe_brewer/why-are-universities-failing-humanity-b94c78d42d56 

  13. https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexidade 

  14. https://en.wikipedia.org/wiki/Complexity  2

  15. https://medium.com/insurge-intelligence/beyond-extinction-12daed1bc851 

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